O que eu devo a Eusébio
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O que eu devo a Eusébio


"Zangadíssimo em Lourenço Marques... E a viagem pesadelo no meu carro, com Nuno Ferrari, levando Eusébio ao... Beira-Mar.

Creio dever a Eusébio ter entrado para o quadro da redacção de A BOLA logo uma semana após regressar da guerra colonial em Moçambique. Os 'monstros sagrados' tinham-me aceitado, miúdo ainda estudante, como colaborador, mas a tropa afastara-me por longos 3 anos - e quem não aparece... esquece. Bambúrrio de sorte e... Eusébio terão sido os meus salvadores. Quando a guerra me deu uns dias de férias, decidi passá-los em Lourenço Marques (hoje Maputo). E foi aí, em Junho (ou Julho?) de 1970, que o já Rei Eusébio de rompante entrou na minha vida. Zangadíssimo por o presidente Borges Coutinho lhe fazer baixa proposta para novo contracto, voou até à sua terra natal garantindo. «assim, não voltarei a jogar». Que 'bomba'! Telefonei para A BOLA e, entre timidez e audácia, disse ao grande chefe Vítor Santos: «estou em Lourenço Marques; se puder ser útil...». Durante 2 semanas, colei-me a Eusébio, conheci a mãe (que personalidade de matriarca, Dona Elisa), irmãos, amigos. Contratado fotógrafo, fizemos manchetes de A BOLA. Querido Eusébio, escancaraste-me porta grande na lisboeta travessa da Queimada.

Seis anos decorridos, deu-me lição de coragem e de persistência (no amor a entidade que tão mal, com terrível ingratidão, estava a tratá-lo). Gigante Eusébio a caminho do... Beira-Mar! Para assinar contrato em que foi pago por jogo e, salvo erro, por golo! Lisboa-Aveiro, no meu carro e com o seu enorme amigo Nuno Ferrari, que pesadelo! partimos em sepulcral silêncio, mas depressa explodi: «Não podes sujeitar-te a isto!» Sussurrou: «tem de ser». Olhei para o banco de trás: olhos do Nuno Ferrari rasos de água. Em fúria, chamei tudo aos dirigentes do Benfica - e até aos da Federação. Eusébio ouviu, ouviu... e, quando, enfim, falou, fui para dizer: «Garanto que não jogarei contra o Benfica». Teve de jogar, semanas depois, mas recusando-se a marcar livres e nem um remate fazendo...

Tanto a dizer de tão excepcional futebolista! Fico-me pelo início de carreira, mostrando estar ali um... fenómeno. Benfica recém-campeão europeu foi a Paris defrontar o famosíssimo Santos de Pelé; Eusébio, 19 aninhos e só há 3 meses na Luz, no banco de suplentes. Ao intervalo, 4-0 para Pelé & Companhia; o miúdo Eusébio entrou e... tomem 3 golos! (não 4 porque lhe recusaram estatuto para marcar penalty...).
De seguida, Peñarol-Benfica, decidindo oficioso título mundial. Na Luz, 2-1 para o Benfica (Eusébio de fora). Em Montevideu, campão da Europa goleada com 5-0! Regulamento ditava; 3.º jogo, em Montevideu. Bela Guttmaan mandou ir de Lisboa dois meninos: Eusébio e o ainda júnior Simões. Foram titulares. O Benfica perdeu por 2-1, Eusébio marcou, um pontapé quase de meio campo! Nunca mais, por muitos anos, ele e Simões saíram do onze... Simões, extremo esquerdo, ainda hoje o mais jovem campeão europeu, aos 18 anos, quanto a mim o jogador que, no Benfica e na Selecção Nacional, melhor entendeu e explorou o fantástico futebol de Eusébio.
Nos últimos tempos, alguns (poucos) subvalorizaram Eusébio face a Cristiano Ronaldo. Irritante, vindo de quem não viu, ou quase não viu, jogar Eusébio... Raio da idade deu-me o privilégio de vê-lo em toda a sua carreira. Repito o que escrevi há dias: houve grandes jogadores que não o seriam hoje; mas Eusébio seria hoje ainda maior gigante. Técnica ao serviço de excepcionais mudanças de velocidade (que poder de aceleração, mantendo-a por ali fora!), raça e força, fabuloso remate, diabólico também na colocação. Com tais características em grande, vi o Ronaldo brasileiro e vejo o nosso. Mas Eusébio rasgou fronteiras, atingindo píncaros de admiração mundial (super-fenómeno, sem internet, profusão de vídeos, intensíssimo marketing), nunca lhe tendo sido permitido acréscimo de mediatismo por jogar num grande clube de Itália, Inglaterra, Espanha... E hoje, caramba, com meios clínicos muito mais requintados, não teria de sofrer 7 (!) operações a joelhos! Digam lá quem mais passou por tamanho calvário mantendo-se gigante?...
Há uns 5 anos, Simões disse-me: «com as bolas de hoje, muito mais golos Eusébio marcaria... de meio campo». Digo eu: com as bolas e também as botas de hoje, tão mais leves.
Eusébio, como Pelé e Maradona, foi rei de um Mundial (em dobro: melhor jogador e goleador n.º1). Cristiano Ronaldo e Messi ainda não atingiram tal galáxia. Grande Cristiano, que seja este ano!"

Santos Neves, in A Bola



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